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Manifestação pela Paz, integrada na campanha de Natal da Cáritas, lembrou cristãos perseguidos

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Foto © Samuel Mendonça

A manifestação pública pela paz, promovida pela Cáritas Diocesana do Algarve no âmbito da campanha de Natal “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” realizada pela Cáritas Portuguesa, lembrou de maneira particular no passado sábado à noite em Paderne a perseguição aos cristãos em diferentes partes do mundo.

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Foto © Samuel Mendonça

Sete estações com imagens da violência com os cristãos marcaram o percurso da marcha silenciosa que teve início na baixa da vila, junto ao Centro de Saúde, e que seguiu depois até à igreja paroquial. “Ao contemplarmos essas imagens para eles pedimos a paz, por nós e para nós damos graças a Deus pelo dom de nela vivermos”, afirmou o pároco de Paderne, o padre Pedro Manuel, no momento antes da caminhada, que se iniciou com uma oração de evocação do Espírito Santo e o gesto simbólico do acendimento do fogo a partir do qual foi acesa a “Luz da Paz”, recebida pela paróquia de Paderne no passado 8 deste mês.

A chama foi depois passada às várias dezenas de pessoas, incluindo o bispo do Algarve, que se associaram àquela iniciativa, à qual se juntaram muitas mais pessoas na igreja paroquial.

Após a marcha, participada para além do presidente da Cáritas Diocesana do Algarve, Carlos Oliveira, pelos presidentes das Juntas de Freguesia de Paderne e de Ferreiras, respetivamente Miguel Gonçalves Coelho e Fernando Gregório, o padre Pedro Manuel desejou “que a paz não seja apenas um objetivo de hoje mas seja um programa de vida”. “Só é possível existir paz quando permitirmos uns aos outros que no nosso coração a paz seja um objetivo de vida. É isso que, pela força da fé, pela expressão do canto e pela proximidade das nossas presenças queremos fazer acontecer e significar de forma muito especial”, acrescentou o pároco de Paderne.

O presidente da Junta de Freguesia de Paderne desejou “que a paz no mundo seja uma realidade”. “Espero que este gesto simbólico na nossa terra sirva para encher o nosso coração de amor e que num coração que tem amor a paz reine”, afirmou.

O presidente da Cáritas algarvia sublinhou que “o alicerce da paz é o desapego dos condicionamentos familiares, culturais, raciais e religiosos”. “A paz começa em nós e connosco”, frisou Carlos Oliveira, considerando que “hoje a paz é possível se cada um der o melhor de si na busca do bem do outro”. “A paz envolve uma série de valores como a solidariedade, o respeito, a justiça e a igualdade”, acrescentou, lembrando que “a paz é construída passo a passo, palavra a palavra, com gestos de solidariedade e justiça e com as mãos disponíveis para o acolhimento”. “Não basta discursos e intervenções como esta que estou a fazer para construir a paz. É preciso saber que a paz é um compromisso que me envolve, enquanto envolve também o meu irmão”, prosseguiu, destacando que a paz se constrói “no respeito, na aceitação e na pluralidade racial, cultural e religiosa para que possamos resgatar pelo coração a liberdade, a igualdade e a fraternidade”.

“Podemos falar de paz quando a crise que nos bate (ou bateu) à porta cria tantas desigualdades sociais?”, questionou, lembrando os “cerca de dois milhões de portugueses que estão a viver abaixo do nível mínimo de pobreza”. Aquele dirigente recordou ainda aqueles, “originários de outros países”, que se “encontram a fugir das atrocidades praticadas pelos governos” que, deixando a família, por vezes encontram o fim da sua vida em “mares longínquos”. “Podemos falar de paz em países em que tantos cristãos são privados de liberdade religiosa e ameaçados na sua própria vida? Podemos falar de paz quando em muitas das nossas famílias existe a violência doméstica? Como está o coração de cada um de nós? Está em paz? Como está a família de cada um de nós? Está em paz?”, questionou ainda, lembrando que a paz se constrói com “conversão de coração”.

O bispo do Algarve, que se regozijou por a Caritas diocesana promover esta iniciativa pelo 13º ano consecutivo desde 2003, deixou um desafiou aos algarvios. “Se queres a paz, acende uma luz. Ou melhor ainda: se queres a paz, sê tu essa luz”, exortou, explicando que ser luz significa “ver melhor mais longe, aquecer, nortear, orientar”. “Significa tudo aquilo que tem a ver com não-violência, com perdão, misericórdia, reconciliação, com defesa e promoção da dignidade do outro, significa fundamentalmente amor”, sustentou, acrescentando que, “para quem tem fé esta luz leva-nos, necessariamente, à sua fonte que é a pessoa de Cristo”.

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Foto © Samuel Mendonça

A noite oratória prosseguiu com o canto de Teresa Salgueiro que regressou ao Algarve para interpretar músicas do CD “Cânticos da tarde e da manhã” que gravou desafiada pelo padre José Rodrigo Mendes, a quem agradeceu. A oração, a música e o canto fundiram-se em arte com base nos hinos da oração quotidiana da Igreja da Liturgia das Horas com os textos bíblicos da narrativa da criação do universo, do planeta e do ser humano, a partir do livro do Génesis e do prólogo do evangelho segundo São João.

Acompanhada ao acordeão por Marlon Valente e ao contrabaixo por Óscar Torres e pelo grupo coral da paróquia de Paderne, Teresa Salgueiro interpretou hinos como “A vós, ó Verbo eterno, luz bendita”, “Vão-se as sombras da noite dissipando”, “Vós, Senhor, que a luz criastes”, “Eterno Criador do universo”, “Ó luz da eterna formosura”, “Lentamente o sol se apaga”, “Deus que fizestes o dia”, “Luz esplendente da santa glória” ou “Morada eterna do Altíssimo”.

A cantora fez ainda questão de assinalar o 80º aniversário do papa Francisco que ocorria naquela dia. “Acho que todos nós lhe devemos muito pela alegria, força e coragem que ele traz ao mundo e pela fé que ele transmite e tanta gente que ele tem conseguido aproximar da Igreja. Eu gosto muito dele (acho que todos gostamos) e desejo que tenha muitos anos ainda com saúde para estar connosco”, afirmou.

Durante a tarde daquele dia foi ainda inaugurada uma exposição de trabalhos da catequese paroquial alusivos à paz. Foi também plantada, junto à igreja, uma oliveira – a “Árvore da Paz” –, tendo sido ainda feita pelas crianças e jovens da catequese uma largada de mais de uma centena de balões com uma mensagem de paz.

A Cáritas convida agora cada português a acender na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, a vela adquirida e a colocá-la à janela de casa. As velas estão à venda nas Cáritas Diocesanas e paróquias e também em estabelecimentos comerciais que se associaram à iniciativa, à imagem do que tem sucedido nos últimos anos, e podem ser adquiridas a um preço unitário de um euro ou quatro euros (pack de quatro velas).

A campanha “Dez Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” teve origem num gesto de reconciliação em Annecy (França) em 1984, alastrando-se mais tarde a toda a França, a toda a Europa e a todo o mundo.

A operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” é uma iniciativa solidária que nasceu em França e que começou a ser promovida em Portugal em 2001, tendo como principal objetivo incentivar a sociedade civil, os cidadãos, a contribuírem para a melhoria das condições de vida de pessoas e povos desfavorecidos, atingidos por fenómenos como a pobreza, a guerra, as catástrofes naturais, as desigualdades sociais.

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